Há um recanto na Mongólia Interior onde o deserto faz uma pausa e o rio se detém, onde árvores milenares se erguem há milénios, guardando histórias mais antigas do que os impérios. Trata-se da Floresta de Choupos de Ejina (Floresta de Populus euphratica de Ejina), por vezes apelidada de «país das maravilhas dourado» da China. Aqui, as árvores da espécie Populus euphratica vivem três mil anos — vivas, de pé e, mesmo após a morte, recusando-se a cair. Durante vinte curtos dias no outono, transformam-se em oceanos cintilantes de ouro, tornando Ejina um dos destinos turísticos mais mágicos da Mongólia Interior.

A Epopeia de Três Mil Anos, Vinte Dias de Esplendor
Os habitantes locais costumam dizer: «Viva por mil anos, em pé por mil anos e deitada por mil anos.» Esta é a lenda do Populus euphratica, cuja resiliência no deserto inóspito o torna um símbolo da resistência da vida. Todos os anos, em outubro, à medida que o vento do deserto amacia, as folhas brilham intensamente como moedas de ouro espalhadas pelo Gobi. Todo o oásis de Ejina resplandece como uma pintura, mas a beleza é efémera — dura apenas cerca de vinte dias. Isto faz com que a viagem de outono a Ejina seja uma peregrinação para fotógrafos, poetas e viajantes que perseguem os milagres sazonais.
Pontos altos da Floresta de Choupos de Ejina
A Maravilha do Populus Euphratica – Um Poema sobre a Vida e a Morte
Caminhar pela floresta é como entrar numa história escrita pelo próprio tempo. Algumas árvores erguem-se orgulhosas com copas densas e douradas; outras, retorcidas e nuas, parecem esculturas deixadas pela história. Juntas, contam uma história de vida, sobrevivência e dignidade silenciosa.

Um oceano dourado de cores
A Floresta de Choupos de Ejina é frequentemente descrita como um mar dourado no deserto. Sob a luz do sol, cada folha parece brilhar por dentro. Ao pôr-do-sol, as árvores incandescem com tons alaranjados e carmesim. Para os fotógrafos, este é um cenário infinito de luz, cor e imaginação.

A magia da luz e da sombra
O dia e a noite em Ejina contam duas histórias diferentes. Durante o dia, a floresta é deslumbrante e radiante; à noite, as estrelas espalham-se pelo céu do deserto. Com as árvores recortadas contra a Via Láctea, a experiência de fotografia noturna em Ejina parece um encontro entre o céu e a terra.
Raízes culturais por baixo das folhas douradas
Ejina não se resume apenas às paisagens, mas também às pessoas e à história.
- Os mongóis Torghut consideram este lugar o seu lar. As suas tradições nómadas, as suas yurts e a sua cultura pastoril conferem profundidade à história do deserto. Os visitantes podem conhecer os habitantes locais, que ainda vivem em sintonia com os ritmos da estepe.
- O legado da Rota da Seda ainda aqui perdura. Ejina foi outrora uma paragem ao longo das antigas rotas comerciais, e as ruínas dos antigos fortes sussurram-nos histórias das caravanas que por ali passaram.
- A crença ecológica e a reverência estão profundamente enraizadas. Para os habitantes locais, o Populus euphratica não é apenas uma árvore, mas um espírito guardião do deserto, uma fé viva na sobrevivência e na harmonia com a natureza.
Melhor época e duração para viajar para Ejina
A melhor altura para visitar Ejina é entre o final de setembro e meados de outubro, sendo que o auge absoluto se situa entre 1 e 20 de outubro. É nesta altura que a floresta de Populus euphratica apresenta a sua tonalidade dourada mais intensa.
- Duração: A maioria dos viajantes fica entre 3 a 5 dias, tempo suficiente para explorar a Floresta de Choupos, as ruínas da Cidade Negra nas proximidades, o Lago Juyan e as paisagens do Gobi.
- Dica de planeamento: Planeie com antecedência. Durante a época alta, os bilhetes de comboio, os voos e os hotéis em Ejina Banner esgotam frequentemente com semanas de antecedência.

Guia prático de viagem a Ejina
Transportes
- De avião: O Aeroporto Ejina Banner Taolai tem voos sazonais a partir de grandes cidades como Hohhot, Xi’an e Pequim.
- De comboio: O «comboio Populus Euphratica» para Ejina é uma opção muito procurada, oferecendo passeios panorâmicos pelo deserto.
- De carro: Conduzir por conta própria a partir de Alxa Left Banner ou Zhangye é uma aventura, mas permite maior liberdade para explorar.
Alojamento
Os hotéis na cidade de Ejina variam entre pousadas tradicionais e alojamentos boutique. Durante o Festival do Álamo de Ejina, é essencial reservar com bastante antecedência. Para uma experiência mais autêntica, alguns viajantes optam por yurts mongóis nos arredores da cidade.
Vestuário e preparação
- É essencial vestir-se em camadas: casacos quentes para as manhãs e noites frias e peças mais leves para os passeios durante o dia.
- Proteção no deserto: óculos de sol, chapéus, lenços e protetor solar são essenciais contra a forte radiação solar.
- Equipamento fotográfico: Os tripés e as lentes grande-angulares são essenciais aqui, pois a magia da floresta é melhor captada com paciência.
Etiqueta e tabus
- Não faça entalhes nem danifique as árvores antigas. As Populus euphratica são veneradas e protegidas.
- Respeite os costumes locais, especialmente nas comunidades mongóis Torghut.
- Respeite as regras ecológicas — não deite lixo no chão, não faça fogueiras na floresta.
Para além da Floresta Dourada
Embora a Floresta de Choupos de Ejina seja a grande atração, outras atrações nas proximidades enriquecem a viagem:
- Ruínas da Cidade Negra (Heicheng): Outrora uma poderosa fortaleza da Rota da Seda, hoje uma ruína assombrosa no deserto.
- Lago Juyan: Um lago cintilante na orla do deserto, outrora aclamado como a «Pérola do Gobi».
- Vale das Pedras Estranhas: Formações rochosas naturais, esculpidas pelo vento, que parecem esculturas espalhadas pela natureza selvagem.
A Despedida Suave
À medida que o outono vai-se esvaindo, as folhas douradas vão-se espalhando e a Floresta de Choupos de Ejina volta ao seu sono tranquilo. Mas para aqueles que percorreram os seus caminhos arenosos, contemplaram a copa dourada ao amanhecer ou seguiram o traço das estrelas através dos ramos nus, a memória permanece como um eco caloroso.
Uma viagem a Ejina não se resume apenas à fotografia ou a passeios turísticos. Trata-se de encontrar a resistência numa árvore, a poesia numa folha e a eternidade num deserto. E talvez, quando partir, leve consigo um pouco de ouro no coração — o brilho dos guardiões milenares de Ejina.
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